quarta-feira, 30 de março de 2011

Jus esperniandi? Pode ser. Mas falei o que penso.

por Cláudio Ricardo Silva Lima Júnior

No último concurso para servidores do TRF da 1ª Região, ocorrido no último fim de semana, a Fundação Carlos Chagas – FCC conseguiu se superar. A quantidade de questões capciosas, preparadas com o (legítimo?) intuito de confundir o candidato foi enorme. Quem fez a prova, por certo, imaginou ter-se saído muito bem. As questões eram fáceis – mas apenas à primeira vista. Somente um olhar verdadeiramente clínico permitiu identificar as alterações minúsculas efetuadas no exato teor da lei. Particularmente, houve alternativas que tive de ler mais de cinco vezes, já no prazo de recursos, para conseguir identificar o erro. Sim, o atual modelo de exames da FCC é cruel.

Segue abaixo o texto que coloquei no campo destinado à justificativa para um Recurso contra o gabarito, ao perceber que não caberia impugnação para nenhuma das questões que errei em uma das provas. Discurso de perdedor? Jus esperniandi? Pode ser. Mas falei o que penso.

“Escrevo este Recurso unicamente para externar minha insatisfação com seu formato de prova. Neste exame, errei várias questões por "pegadinhas" cuidadosamente elaboradas pelos senhores. Alterações de - literalmente - 01 (uma) vogal ou consoante, plantadas com a precisa intenção de confundir o leitor apressado. Ocorre que é preciso estar apressado, pois o tempo concedido, também pelos Senhores, para a conclusão do certame, é absurdamente exíguo. É uma pena que insistam em aprovar decoradores insanos da letra da lei em detrimento de verdadeiros conhecedores dos princípios jurídicos. Talvez por isso nosso País possui, em sua maioria, juízes que não fazem justiça, advogados que vêem o direito como mera forma de ganhar dinheiro, professores incapazes e, em decorrência, uma cultura jurídica média pífia. A respeitabilidade da Instituição FCC, enquanto organizadora, é inquestionável. Por que não se valer de tal prestígio para contribuir para a transformação do perfil dos profissionais do Direito, de sorte a que atue no Judiciário quem efetivamente esteja preparado a fazer justiça? Por certo, uma pequena mudança de paradigma, a ser realizada por parte dos senhores, será capaz de alterar substancialmente a composição de nossas Varas e Tribunais, com potencial legítimo para transformar os rumos da realidade jurídica deste País. Nunca é demais recordar: "Il puri iudici, il puri asini."”

Nenhum comentário:

Postar um comentário